Enchidos

Enchidos: tradição gastronómica

Haverá algo mais tipicamente português do que reunir a família à volta da mesa para degustar uma variedade de enchidos? De porco, aves ou até vegetarianos, descubra tudo sobre este alimento com sabor a Portugal.

A necessidade aguça o engenho e do pouco faz muito. Sob este signo nasceu a tradição muito portuguesa dos enchidos. Mas as origens humildes não os impediram de conquistar um lugar à mesa de todas as camadas da sociedade.

Hoje, fazem parte da identidade cultural e gastronómica coletiva de Portugal, donos como são de um sabor intenso que transporta quem prova de volta a casa. Descubra tudo sobre os enchidos, as suas propriedades e origens.

Tipos de enchidos

Muitos preferem não saber como são feitos os enchidos, valorizando antes o sabor único. Se assim for, talvez seja melhor saltar este parágrafo.

O termo enchido refere-se aos alimentos que são produzidos ao encher tripas de animais previamente limpas (ou sintéticas, nas versões vegetarianas). Sâo utilizados diversos tipos de recheio que depois podem ou não ser submetidos ao processo de defumação antes do seu consumo.

Na melhor tradição, muitos dos enchidos nacionais são preparados com carnes, gorduras e entranhas resultantes da matança do porco, enriquecidas com diversos temperos e condimentos.

Dos muitos tipos de enchidos que se produzem em Portugal, destacam-se alguns mais icónicos.

Salpicão de Vinhais IGP

É feito com carne do lombo e lombinho de porco bísaro ou cruzamento desta raça. A carne é condimentada com sal, vinho tinto ou branco da região, água, alho, colorau doce, picante e louro.

Para o enchimento, é utilizada tripa grossa de porco com gorduras frescas de porco da raça alentejana (pelo menos 45% da massa total dos ingredientes utilizados), farinha de trigo, sal, alhos secos pisados, pimenta e pimentão da horta em massa.

Com invólucro de tripa natural seca, exclusivamente de bovino, tem forma de ferradura, uma consistência pastosa, sabor suave, pouco salgado e travo ligeiramente picante.

Chouriça de sangue

Do Minho surge este enchido confecionado com carnes entremeadas, muito apaladado e com um típico sabor tradicional. O seu processo de cura em fumeiro artesanal é longo.

Morcela da Guarda

O sangue de porco é o elemento de ligação dos pedaços de entremeada usados neste enchido, conferindo-lhe a consistência e a coloração escura. O aroma intenso advém das especiarias utilizadas, entre as quais o cravinho e os cominhos.

Alheira de Mirandela IG

Um enchido composto maioritariamente por carne de aves e de porco de raça bísara ou seu cruzamento, pingo de porco, alho, colorau, azeite e tripa natural. Ligeiramente fumado, poderá ter um sabor por vezes intenso e picante.

Morcela de arroz

Um dos enchidos mais típicos da Estremadura, sobretudo da região de Leiria. É feito com sangue fresco de porco temperado com sal e pimenta e diluído com vinagre e vinho tinto, carne entremeada de porco cortada em pequenos pedaços, alho, cebola, salsa, cominhos e cravinhos. Cozido à parte, o arroz é depois adicionado ao preparado, que fica pronto para encher as tripas.

São muitas as técnicas e receitas para fazer um bom enchido e que remontam aos nossos antepassados.

Breve história dos enchidos

Foi por necessidade que em tempos idos o homem descobriu a defumação e a salga da carne para a conservar por longos períodos de tempo. A primeira era aplicada à carne de porco e de aves e a segunda à carne de porco e de vaca.

Existem registos que atribuem a origem dos enchidos e fumados ao período primitivo, quando os intestinos dos animais eram cheios com carne moída. Na Antiguidade, gregos e romanos aprenderam a técnica de defumação, e passaram a fumar as carnes depois de as salgarem.

Os enchidos fazem parte da identidade cultural e gastronómica coletiva de Portugal


Com a passar dos séculos, a defumação foi sendo aperfeiçoada e foram introduzidos para o efeito vários tipos de lenha, pois descobriu-se que modificavam o sabor da carne, tornando-a ainda mais saborosa.

Em Portugal, sobretudo no interior, o porco teve desde sempre um peso muito importante na economia das populações. O sustento dependia do animal que criavam e que era abatido numa festa que reunia a família e amigos. Após a matança, tinha início o consumo da carne e a preparação de algumas partes, do sangue às tripas (pois do porco tudo se aproveita), para o fabrico de enchidos variados que seriam consumidos ao longo do ano.

Porque é que os enchidos têm um sabor tão especial?

De produto para consumo familiar, os enchidos tornaram-se, no nosso país, uma iguaria que alia qualidade a uma personalidade ímpar. O seu sabor forte é característico e, por isso, deve ser acompanhado por algo que equilibre o paladar.

O vinho é uma bebida que poucos dispensam quando degustam petiscos e escolher os melhores tintos para combinar com enchidos é o primeiro passo para um verdadeiro momento de prazer à mesa. Venha explorar o mundo dos enchidos numa loja Continente e delicie-se com o que Portugal tem para oferecer.