Produção

Vinhos de colheita tardia: doces e intensos

Comer, beber e lazer

Enófilo e autor do blog "Comer, beber e lazer"

A colheita tardia é especial, doce e atraente. Saiba tudo sobre os vinhos desta qualidade.

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Enófilo e autor do blog "Comer, beber e lazer"

E se lhe disséssemos que um fungo é o responsável pela produção de vinhos de nuances douradas, intensas e brilhantes, incrivelmente doces, mas não enjoativos? Descubra tudo sobre os vinhos de colheita tardia.

Processo de colheita tardia

Os vinhos de colheita tardia são geralmente doces, atraentes visualmente, com cores amarelo-dourado, intensas e brilhantes. São habitualmente apresentados em garrafas de meio litro ou ainda de menor quantidade, e têm uma produção limitada, o que os torna raros e valiosos.

Um vinho de colheita tardia é resultado de uma vindima feita mais tarde que o normal, num momento em que o bago já perdeu parte da água de que é composto e foi atacado por um tipo de fungo chamado Botrytis Cinerea, a que normalmente se chama de podridão nobre.

Os vinhos de colheita tardia são doces, com cores douradas, intensas e brilhantes.



Este fungo desenvolve-se em climas húmidos, levando à desidratação das uvas, cobrindo a pele e permitindo que nelas se concentrem os seus sabores. As uvas, quase passas e criteriosamente selecionadas, são vindimadas apenas depois da vindima dita normal dos restantes vinhos.

Outro processo de colheita tardia ocorre nos países mais frios, onde as frutas são colhidas no período de temperaturas mais baixas, com os bagos congelados. Tal estado é igualmente responsável pela maior concentração de açúcares, uma vez que apenas a água congela e os demais elementos permanecem sólidos.

Características

De todo o processo ocorre uma série de reações químicas que modificam os parâmetros como a acidez e o açúcar. Desta forma, aromas como o mel, flores, tangerina e marmelo intensificam-se rapidamente no interior das uvas, aperfeiçoando-se durante o processo de vinificação, dando origem a vinhos doces.

Todos os vinhos de colheita tardia dependem do seu amadurecimento natural para atingirem o tão característico teor de açúcar elevado, tornando-se glicéricos, saborosos, longos e aromáticos.

O que se obtém no final é um vinho adocicado, com aromas a frutos secos, fruta passa, mel, com uma acidez particular de fundo de boca, que equilibra todo o conjunto e nos permite continuar a beber sem se tornar enjoativo.

Origem

Todos os anos a história repete-se: os produtores arriscam a produção e deixam parte das suas uvas amadurecer um pouco para lá do limite "normal", na esperança de obter um vinho de colheita tardia de qualidade. Entre as castas mais comuns, contam-se a Riesling, Sauvignon Blanc, Gewürztraminer, Sémillon e Furmint.

Reza a lenda destes vinhos que o dono de um château francês orientou os seus funcionários a não realizarem a colheita enquanto o próprio não regressasse de uma viagem.

Aquando do seu regresso, as uvas já tinham sido atingidas pela podridão nobre. No entanto, mesmo apesar da aparência desagradável, foi ordenada a colheita. O resultado foi um vinho de tal forma requintado que, a partir desse momento, o produtor passou a colher as uvas apenas nesta condição.

O produtor, que seria da região de Sauternes, fez com que esta ficasse conhecida pelos maravilhosos vinhos de sobremesa.

Como consumir


Os vinhos de colheita tardia devem ser apreciados frescos, geralmente entre os 10 e 12ºC.

Habitualmente, são vistos como vinhos de sobremesa, onde se ligam muito bem com doces à base de amêndoa e ovos, mas também com fruta laminada e tortas de maçã.

O vinho de colheita tardia pode ser também uma escolha acertada para entradas mais elaboradas, a partir de foie gras ou, simplesmente, iscas de cebolada. Casam na perfeição com queijos como cabra ou Roquefort ou, ainda, com comida oriental.

Colheita tardia, definição de equilíbrio

Portugal tem vários vinhos doces e os de colheita tardia juntam-se ao leque. A sua característica principal são as uvas vindimadas mais tarde do que o normal, ultramaduras e quase todas transformadas em uvas passas.

Experimente um vinho de colheita tardia e saboreie uma perfeita harmonia e equilíbrio, num jogo permanente entre açúcar e acidez.