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Dieta Paleo: o que é, como funciona, benefícios e riscos

Saiba o que é a dieta Paleo, que alimentos permite e proíbe, como aplicá-la no dia a dia e quais os seus principais benefícios e riscos para a saúde.
Dieta Paleo

Publicado a 05/01/2026

A dieta Paleo parte de uma ideia simples: comer sobretudo alimentos “de verdade”, como hortícolas, fruta, peixe, marisco, ovos, carne, frutos gordos e sementes, e reduzir os ultraprocessados.

É uma interpretação moderna do que terá sido a alimentação no período Paleolítico, com versões mais ou menos flexíveis.

Saiba o que é, quais os alimentos permitidos e não recomendados, como aplicar no dia a dia e conheça os benefícios e riscos associados à dieta Paleo.

Dieta Paleo: em que consiste


A dieta Paleo inspira-se naquilo que os nossos antepassados caçadores-recolectores terão comido: alimentos integrais e pouco processados (carne, peixe, ovos, hortícolas, fruta, frutos oleaginosos e sementes), evitando cereais, leguminosas, laticínios, açúcar adicionado e alimentos ultraprocessados.

Não é uma cópia exata do Paleolítico, é uma interpretação moderna. Existem variações (ex.: Paleo flexível, Paleo mediterrânica) que incluem peixe gordo, azeite virgem extra, muitos vegetais, e evitam excesso de gorduras saturadas, optando assim por escolhas mais alinhadas com a saúde cardiovascular.

Quais os alimentos permitidos e os não aconselhados


Alimentos permitidos na dieta paleo


Alimentos a evitar (na versão clássica)


  • Açúcares adicionados e ultraprocessados: refrigerantes, sumos, bolos e bolachas, snacks de pacote, cereais açucarados, batatas fritas de pacote, refeições prontas;
  • Cereais e pseudocereais: trigo, centeio, cevada, aveia, arroz e milho; pseudocereais como quinoa e trigo sarraceno também são, em regra, excluídos na versão clássica;
  • Leguminosas: feijão, grão-de-bico, lentilhas, ervilhas, soja;
  • Lacticínios: leite, iogurte, queijo;
  • Óleos vegetais refinados (uso diário): milho, soja, palma, girassol refinado;
  • Álcool: muitas versões Paleo excluem; outras admitem consumo ocasional (vinho tinto, por exemplo).

Como aplicar a dieta paleo no dia a dia


Montar o prato: quantidades


  • ½ do prato: hortícolas crus e cozinhados;
  • ¼ do prato: proteína (a palma da mão serve como guia de medida): ovo, peixe ou carne;
  • ¼ do prato: tubérculos ou raízes (ou mais hortícolas), consoante a versão escolhida e o seu nível de atividade;
  • Gordura: um fio de azeite ou uma porção pequena de frutos secos ou sementes, para ajudar com a saciedade.

Exemplos práticos


Pequeno-almoço: omelete com 2 a 3 ovos, com espinafres, cogumelos, tomate cherry e uma peça de fruta.

Alternativa: iogurte de coco sem açúcar (se praticar a versão mais flexível da dieta, pode trocar por iogurte natural simples) com topping de nozes e sementes moídas.

Almoço: salada morna de couve-flor assada, com lombos de cavala grelhados, rúcula, cebola roxa, azeitonas e tempero de azeite e limão.

Lanche: um punhado pequeno de amêndoas, ou um ovo cozido, ou palitos de cenoura, ou pepino com guacamole.

Jantar: peito de frango estufado com pimentos e tomate pelado, brócolos salteados e batata-doce assada.

Sobremesa ocasional: fruta cozida no forno (maçã ou pêra) com canela e um pouco de coco ralado.

Para emergências ou lanches rápidos: fruta e um punhado de frutos gordos, ovo cozido, conservas de peixe em azeite (sardinha ou cavala) com tomate e pickles caseiros, azeitonas, palitos de cenoura e rabanete.

Ler os rótulos dos produtos


  • Cuidado com os açúcares “escondidos”: sacarose, glucose, frutose, dextrose, maltodextrina, “xaropes” (milho, arroz), mel, concentrado de sumo de fruta;
  • Gorduras: optar por azeite virgem extra; limitar óleos vegetais refinados no dia a dia.
  • Conservas de peixe: em azeite ou ao natural, escorrendo o excesso.
Em Portugal, a rotulagem deve ser clara, em português e cumprir as indicações obrigatórias: denominação do alimento, lista de ingredientes, alergénios, tabela nutricional, entre outros.

Benefícios atribuídos à dieta paleo


A evidência clínica mostra melhorias de curto prazo no que diz respeito ao peso, aos triglicéridos e a alguns marcadores glicémicos em protocolos Paleo bem estruturados. Mas os efeitos tendem a ser modestos quando comparados com outras dietas, e a manutenção a longo prazo é um desafio frequente.

Perda de peso


Estudos científicos mostram que a dieta Paleo pode ajudar a reduzir peso, IMC e perímetro da cintura, embora os efeitos sejam modestos quando comparados com outras dietas.

Perfil lipídico (gorduras no sangue)


A dieta Paleo pode baixar os triglicéridos e aumentar o colesterol “bom” (HDL), embora os efeitos sejam pequenos.

Glicemia e sensibilidade à insulina


Pode ajudar a melhorar o controlo do açúcar no sangue, especialmente a curto prazo. Uma revisão de vários estudos científicos, focada em pessoas com alterações nos níveis de glicose, encontrou melhorias na tolerância à glicose e uma maior sensibilidade à insulina quando comparada com outras dietas.

Em pessoas com diabetes tipo 2, ensaios pequenos e de curta duração relacionam a Paleo com melhorias (HbA1c, sensibilidade à insulina), mas meta-análises não mostram superioridade robusta face a outras dietas no médio prazo.

Tensão arterial


A dieta Paleo também parece ter efeitos positivos, embora modestos, sobre a tensão arterial. Revisões de estudos clínicos mostram reduções ligeiras tanto na pressão sistólica (o primeiro número) como na diastólica (o segundo número).

Apesar destes sinais positivos a curto prazo, manter esta dieta a longo prazo pode ser difícil. Além disso, se a versão escolhida for muito rica em gorduras saturadas e excluir totalmente cereais integrais e leguminosas, pode não estar alinhada com as recomendações atuais para a saúde cardiovascular.

Riscos: quem deve ter mais cuidado


A dieta Paleo pode não ser adequada para toda a gente. Dependendo da versão adotada e das suas necessidades de saúde, podem surgir alguns problemas. Vejamos quais são os principais:

Risco de carências nutricionais


Se não planear bem a sua alimentação, a dieta Paleo pode deixá-lo com défice de alguns nutrientes importantes:

  • Iodo: um estudo de 2 anos com mulheres que seguiram a dieta Paleo mostrou maior risco de défice de iodo. Porque o sal de mesa iodado e os lacticínios (as principais fontes de iodo na nossa alimentação) são excluídos ou muito reduzidos na Paleo. Se usar sal, escolha sal iodado. Inclua peixe e marisco regularmente. E atenção especial se estiver grávida ou a amamentar.
  • Cálcio (e vitamina D): sem lacticínios, a ingestão de cálcio pode baixar significativamente. Para quem dependia dos lácteos como fonte de vitamina D (através de produtos fortificados), também pode ser um problema. Priorize a ingestão de sardinhas com espinha, couves, grelos e águas minerais ricas em cálcio. Faça análises e considere, junto do seu médico, tomar suplementação, se necessário.
  • Fibra e saúde intestinal: seguir a dieta Paleo pode reduzir, a longo prazo, a ingestão de fibra e de amido resistente (um tipo de hidratos especialmente bom para as bactérias intestinais). Estudos mostram que isto pode alterar a composição da microbiota intestinal e aumentar um marcador sanguíneo chamado TMAO, associado a maior risco cardiovascular.
Encha o prato de vegetais, fruta, frutos gordos e sementes. A Autoridade Europeia para a Segurança Alimentar recomenda cerca de 25 gramas de fibra por dia. Se a sua versão de Paleo permitir, inclua tubérculos (podem até ser arrefecidos, para aumentar o amido resistente).

Saúde do coração: onde a Paleo pode falhar


Em 2023, a Associação Americana do Coração avaliou 10 padrões alimentares diferentes. As dietas mediterrânica, DASH, pescetariana e vegetariana ficaram bem classificadas para a saúde cardiovascular.

A Paleo e a cetogénica ficaram nos lugares mais baixos, especialmente nas versões ricas em gorduras saturadas e pobres em cereais integrais e leguminosas. Isto é, se a sua versão incluir muita carne gorda, óleo de coco e poucos vegetais, pode estar a prejudicar o seu coração, em vez de o proteger.

Em caso de doença renal crónica


As diretrizes internacionais de 2024 recomendam evitar dietas com muita proteína (mais de 1,3 gramas por quilo de peso corporal por dia) e manter cerca de 0,8 gramas por quilo.

As versões mais radicais da Paleo, que apostam muito em carne e peixe, podem não ser adequadas. Fale sempre com o seu médico ou nutricionista.

Se está grávida ou a amamentar


A Direção-Geral da Saúde recomenda suplementação diária de iodo (150 a 200 microgramas) desde a pré-concepção e durante toda a gravidez e aleitamento. Como a Paleo estrita exclui lácteos e sal iodado, o risco de défice aumenta. Neste caso, a suplementação e o acompanhamento médico não são opcionais, são essenciais.