Obesidade Infantil

Alimentação da Família

Obesidade Infantil: causas, como detetar e prevenir

Saiba o que é a obesidade infantil, quais as causas, tratamento, sintomas e como combater. Deixamos algumas sugestões
Publicado a 15/11/2023
A batalha contra a obesidade infantil é uma das grandes prioridades de saúde pública nos dias que correm. Em cada refeição, em cada brincadeira, existe potencial para moldar um futuro mais saudável para as gerações mais novas. Descubra o que é a obesidade infantil, quais as causas e as soluções que podem transformar o destino das crianças.

O que é a obesidade infantil?


A obesidade infantil é uma condição de saúde complexa e multifatorial, caracterizada pelo excesso de gordura corporal em crianças e adolescentes com idades compreendidas entre os 2 e os 18 anos. Esta condição é determinada através do cálculo do Índice de Massa Corporal (IMC), que tem em consideração a idade e o género da criança. 

Para se perceber que existe excesso de peso ou obesidade é necessário avaliar o Índice de Massa Corporal (IMC) que compara o peso com a altura. O IMC é comparado com as referências para crianças com a mesma idade e sexo, através de tabelas apropriadas para a idade e sexo da criança. O Índice de Massa Corporal é obtido dividindo o peso pelo quadrado da estatura: IMC = Peso (kg) / Altura (m)2.

É importante reforçar que a obesidade em crianças não é apenas um problema estético. Trata-se de uma questão de saúde com implicações graves no desenvolvimento físico, emocional e social das crianças.

A obesidade infantil é um problema global. Uma criança com obesidade infantil pode apresentar as consequências negativas mais cedo e prolongar-se já em idade adulta. As crianças têm também maior probabilidade de ter excesso de peso na vida adulta.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 38 milhões de crianças com menos de 5 anos em todo o mundo têm excesso de peso. Em Portugal, os números também são preocupantes. O estudo, parte de uma iniciativa da OMS/Europa a que Portugal aderiu desde 2008, concluiu que, em 2022, 31,9% das crianças portuguesas entre os 6 e os 8 anos de idade tinham excesso de peso, das quais 13,5% apresentavam obesidade, um aumento face à última avaliação feita antes da pandemia, em 2019.

Causas da obesidade infantil


A obesidade é uma doença multifatorial e crónica, que pode ter causas comportamentais, genéticas, ambientais ou ser causada pela interação de todas.

Alimentação desequilibrada


O consumo excessivo de alimentos ricos em açúcares, sal, gorduras saturadas, trans e hidrogenadas e determinados aditivos adicionados aos alimentos e produtos alimentares tem sido apontado como um dos principais fatores para a obesidade infantil.

Estes elementos são especialmente comuns em alimentos de pastelaria, alguns produtos industriais como bolachas, batatas de pacote, bolos, gomas e chocolates, cereais de pequeno almoço, entre outros, que tenham adição de açúcar, sal e/ou gorduras saturadas, fast food e refrigerantes açucarados.

Sedentarismo e falta de exercício físico


O avanço da tecnologia, a proliferação de dispositivos eletrónicos e as rotinas cada vez mais aceleradas levaram a um estilo de vida sedentário para muitas crianças. A falta de atividade física regular contribui para o desequilíbrio entre a ingestão e o gasto de calorias, que por sua vez leva ao aumento de peso.

Ambiente familiar


O ambiente familiar também desempenha um papel fundamental na formação dos hábitos alimentares e na promoção de atividade física das crianças. Os modelos de comportamento em casa, incluindo padrões alimentares e níveis de atividade física, influenciam significativamente o estilo de vida das crianças. As crianças são o reflexo dos adultos que as rodeiam, inspiram-se e imitam os comportamentos das pessoas mais próximas e que lhes servem de referência.

Predisposição genética


Alguns casos de obesidade infantil têm uma componente genética, o que significa que crianças com histórico familiar de obesidade podem ter uma predisposição maior a ganhar peso.

Consequências da obesidade infantil


A obesidade infantil pode ter sérias consequências para a saúde dos mais pequenos, incluindo:

  • Problemas cardíacos: A obesidade aumenta o risco de hipertensão e doenças cardíacas.
  • Doenças respiratórias: O excesso de peso pode contribuir para o aparecimento de quadros de asma e apneia obstrutiva do sono.
  • Diabetes Tipo 2: Esta condição pode levar ao desenvolvimento precoce de diabetes.
  • Problemas psicossociais: A obesidade infantil pode resultar em baixa autoestima, isolamento social, depressão, distúrbios alimentares e bullying.
  • Síndrome do Ovário Poliquístico (SOP): Esta disfunção endócrina que afeta o género feminino pode ser fomentada pela obesidade infantil.
  • Desenvolvimento ósseo e articular: A obesidade pode causar problemas no desenvolvimento dos ossos e das articulações.
  • Doenças do fígado: O excesso de peso pode levar ao aparecimento da doença do fígado gordo não-alcoólica que ocorre devido à acumulação de gordura.
  • Obesidade mórbida: Quando a obesidade em crianças não é tratada e evolui quando chegam a adultos.

Obesidade infantil: sintomas a observar


Estes são alguns dos sintomas a que deve estar atento.

  • Ganho de peso rápido e inesperado.
  • Aumento da circunferência abdominal.
  • Dificuldade em participar em atividades físicas.
  • Respiração ofegante ou dificuldade em respirar.

Tratamento da obesidade infantil


O tratamento da obesidade infantil requer uma abordagem integrada, envolvendo profissionais de saúde, nutricionistas, educadores físicos e psicólogos. Por um lado, o aconselhamento nutricional é fundamental na educação sobre as escolhas alimentares mais saudáveis e na gestão de porções.

Por outro lado, o apoio psicológico é crucial para ajudar a entender o tratamento, mudar a mentalidade da criança, assegurar a gestão emocional e desenvolver hábitos saudáveis. Já o acompanhamento de um educador físico vai promover a prática de desporto e a ajustar esta prática às capacidades da criança e às suas preferências.

Como prevenir a obesidade Infantil


A alimentação equilibrada e a prática regular de atividade física são essenciais para prevenir a obesidade infantil. O consumo de frutas, legumes e alimentos integrais, a par de atividade física regular e da participação em brincadeiras ao ar livre vão promover o bem-estar geral da criança. Para além disso, os pais devem dar o exemplo através da adoção de hábitos saudáveis.

Evite usar a comida como prémio ou castigo. Mantenha horários de refeição regulares, crie uma ementa semanal organizada, e elimine as bebidas açucaradas, snacks e doces do menu normal.


A obesidade infantil é um problema sério e uma doença que afeta milhões de crianças em todo o mundo, mas com intervenção e prevenção adequadas, é possível criar um futuro mais saudável. Deixamos ideias de alguns lanches saudáveis para toda a família.