- Entre os 18 e os 23 meses, a criança vive uma fase de forte afirmação da autonomia, marcada por desenvolvimento emocional intenso.
- As birras e a seletividade alimentar são comportamentos normais que fazem parte do crescimento e da aprendizagem da autorregulação.
- Com presença, paciência e consistência, os pais ajudam a criança a desenvolver segurança emocional, autonomia e confiança.
Ao mesmo tempo, a linguagem, a motricidade e a forma como a criança se relaciona com o mundo continuam a evoluir rapidamente, tornando esta etapa tão exigente quanto fascinante para os pais.
Saiba o que está por trás destas mudanças para conseguir responder com mais segurança, empatia e tranquilidade às necessidades do seu bebé.
Bebé dos 18 aos 23 meses: o que esperar
Sabia que, nesta fase, a ‘palavra’ mais percebida pela criança é o seu próprio nome? Esta é uma fase muito baseada no egocentrismo, sempre do ponto de vista saudável, em que se sentem o centro do mundo e adoram abusar da palavra ‘não’, dizendo-a mesmo que contrarie a sua verdadeira vontade.
Nesta etapa de desenvolvimento os mais pequeninos adoram fazer o que querem e em jeito de graça gostam de se exibir e mexer. Portanto não gostam de ser contrariados nas suas vontades e desejos, exigindo dos papás uma dose extra de resiliência e serenidade para conduzir o barco a bom porto. Abuse da comunicação através da brincadeira, transformando a atenção negativa, numa atenção positiva.
Birras: como lidar
Por volta dos 18 meses, muitos pais deparam-se com as primeiras birras que embora desafiantes, fazem parte do desenvolvimento esperado. Nesta fase, a criança está a consolidar a sua autonomia, mas o cérebro, especialmente áreas como o córtex pré-frontal, ainda é muito imaturo para gerir emoções intensas. A criança quer fazer sozinha, mas ainda não consegue, e quer comunicar, mas o vocabulário é limitado.
As birras não significam “má educação” nem falhas no desempenho do cuidador. São uma expressão de emoções que a criança ainda não sabe regular, sendo o papel do adulto ser o regulador externo. Deve manter a calma, validar o sentimento (ex. “eu sei que estás zangado”) e estabelecer limites claros e consistentes. Além disso, evite longas explicações no auge da crise, mas ofereça sempre a sua presença, segurança e, se necessário, contenção afetuosa.
Antecipar situações de cansaço ou fome, oferecer escolhas simples e manter rotinas previsíveis ajuda a prevenir muitas birras. Com tempo, maturação e um adulto disponível e consistente, a criança aprende gradualmente a autorregular-se.
Montessori: o que é e como usar nesta fase
A pedagogia criada por Maria Montessori, no início do século XX, trouxe uma nova forma de olhar para a infância: a criança como protagonista ativa do seu próprio desenvolvimento físico, emocional e cognitivo.
O método Montessori baseia-se na atividade dirigida pela criança, com o adulto como observador atento e guia. Mais do que transmitir conhecimentos, pretende criar condições para que a criança aprenda através da exploração, do trabalho autónomo e do contacto com materiais específicos, pensados para promover a descoberta e a autocorreção.
Para que esta abordagem resulte, são essenciais alguns pressupostos:
- O adulto deve estar preparado para este efeito. Este tem como função observar, intervir quando a criança revela disponibilidade, demostrando como se faz e explicando para que serve. A sua comunicação deve ser positiva e objetiva.
- Ambiente estruturado. O ambiente deve estar adequado à criança, como por exemplo um quarto montessoriano, com mobiliário, estantes e espelhos à sua altura. Acima de tudo, deve ser natural, livre e organizado.
- Materiais pedagógicos, didáticos e autocorretivos. As atividades devem ser colocadas num espaço organizado, acessível à criança e dividido por áreas da vida prática, sensorial, linguagem e matemática.
Nos primeiros anos de vida, a criança tem uma capacidade extraordinária de absorver o que a rodeia. Por esse motivo, é importante que esteja exposta a muitas e diferentes experiências, desde as mais simples, como um passeio, até às mais complexas, como resolver um jogo. Assim, ajuda a potenciar um desenvolvimento mais autónomo, confiante e harmonioso.
Alimentação saudável para bebé
Uma dieta equilibrada é fundamental ao longo da vida, mas numa fase em que o crescimento e desenvolvimento infantil é bastante acentuado, esta tem um impacto superior. Assim, deve oferecer ao seu filho refeições baseadas na variedade e na qualidade, contemplando todos os grupos presentes na roda dos alimentos.
Além da necessidade de ingestão de proteínas, micronutrientes e gorduras, é fundamental oferecer-lhe alimentos ricos em fibras como cereais, frutas e leguminosas, que permitam assegurar um bom funcionamento intestinal.
A dieta saudável deve ser repartida ao longo do dia, evitando períodos muito longos de jejum. Idealmente o seu filho deve fazer 5 a 6 refeições diárias, variadas e nutricionalmente consistentes. A ingestão de água é fundamental e deve estar presente ao longo de todo o dia, principalmente fora das refeições e deve ser reforçada em dias de maior calor.
Inspire-se nestas sugestões de lanches saudáveis.
Seletividade alimentar: o que é e como afeta esta fase
A seletividade alimentar é comum na primeira infância, faz parte do desenvolvimento e não significa que exista algum problema com a criança. Pode ter diferentes causas, como o aumento da sensibilidade sensorial, que leva à rejeição de certos cheiros ou texturas, a neofobia alimentar (medo de novos alimentos) ou, ainda, um menor apetite associado à desaceleração do crescimento. Este comportamento é, na maioria das vezes, transitório e não significa que a criança esteja a alimentar-se mal.
Mesmo sabendo que é um comportamento comum, é sempre difícil para os pais encarar esta fase. Aqui ficam algumas dicas que pode adotar:
- Não force, pressione ou negoceie porque provavelmente vai aumentar a recusa;
- Mantenha a oferta variada de alimentos;
- Quando identificar sinais de fome é uma boa altura para oferecer alimentos;
- Envolva a criança na preparação das refeições com uma torre de aprendizagem, por exemplo, que é muito útil nesta fase;
- O exemplo é fundamental, por isso, o melhor é fazer as refeições em família.
Administração de medicação oral: cuidados a ter
Quando temos uma criança doente que precisa de medicação oral, a administração pode ser um desafio. Nestas situações, existem cuidados base que ajudam a garantir a segurança e a eficácia da administração e que devem ser tidos em conta.
É fundamental respeitar sempre a dose, o horário e a duração da terapêutica prescrita pelo profissional de saúde, para garantir a eficácia do medicamento e evitar uma sobredosagem. Além disso, a medicação deve ser sempre realizada com materiais adequados, como uma seringa. Evite as colheres doseadoras, pois são mais propensas a erro.
Explique à criança, de forma adequada à sua idade, que tem de tomar a terapêutica – nesta fase o recurso a um boneco para exemplificar pode ser uma boa estratégia.
Quando administrar, idealmente a criança deve estar ao colo, sentada, com a cabeça alinhada para evitar o engasgamento. Se o fizer com a seringa, aponte o conteúdo para a face lateral interna da boca e não para a garganta, pois é mais seguro. Se houver desperdício da medicação durante a administração não deve reforçar a dose, pois pode estar a fazer uma sobredosagem.
Em caso de dúvidas, vómitos ou recusa persistente, é importante contactar um profissional de saúde.
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Cada etapa é única e passageira e, com o apoio certo, transforma-se numa oportunidade de aprendizagem para toda a família. No Continente, encontra tudo o que precisa para acompanhar o crescimento do seu bebé, desde alimentação infantil a produtos de higiene e saúde, com soluções pensadas para apoiar cada fase do desenvolvimento com confiança e praticidade.
Perguntas frequentes sobre bebé dos 18 aos 23 meses
Reunimos algumas das dúvidas mais comuns dos pais nesta fase.
É normal o meu bebé dizer muito “não” nesta fase?
As birras são um problema de comportamento?
O que posso fazer para reduzir as birras?
A seletividade alimentar é preocupante?
Como é que brincadeira ajuda no desenvolvimento da criança?