Saber Provar

Como provar um vinho?

A prova sensorial permite sentir o verdadeiro prazer de um bom vinho.
É através da degustação que temos a oportunidade de descobrir os prazeres que um vinho proporciona. Quase todos os sentidos são ativados e uma prova bem conduzida permite viver experiências únicas. Descubra como deve ser realizado este momento e quais as principais etapas de uma prova de vinhos. 

O processo de degustação

A degustação, que também pode ser denominada de exame organolético ou prova sensorial, é onde temos a oportunidade descobrir o que o vinho nos faz sentir. A visão, o olfato e o paladar, são ferramentas necessárias para fazer uma correta análise ao vinho.

Para provar devidamente, deve utilizar-se um copo de vidro fino e incolor, de pé alto, pelo qual se deve segurar, já que evita o aquecimento do vinho nas mãos e torna possível a sua visualização. Este copo deve ser longo e ter uma boca mais estreita, para que os aromas possam ser concentrados e devidamente apreciados.

A temperatura do vinho a servir deve ser a recomendada no contra-rótulo da garrafa ou, caso não se faça nenhuma referência, entre os 16º e os 18º, se for um tinto, e os 9º e os 12º, se for um branco.

Depois de asseguradas estas condições, pode começar a prova.

3 fases para provar um vinho

A prova de vinhos é um processo de 3 fases: a visual, para observar a cor e brilho do vinho, a olfativa, para avaliar os aromas característicos da casta e, por fim, a gustativa, onde se põe o palato à prova. Conheça cada fase em pormenor.

1. Fase visual

Nesta fase, com o vinho no copo, devemos observar cuidadosamente a cor, limpidez, brilho e intensidade. No caso de um vinho espumante, deve notar-se também o tamanho das bolhas e a persistência do seu cordão, após o desaparecimento da espuma inicial.

Cada casta tem as suas características próprias e a cor depende de vários fatores como, por exemplo, o envelhecimento. Os tintos passam das tonalidades púrpura, nos vinhos novos, para os atijolados, nos vinhos com envelhecimento. Já nos brancos, o envelhecimento provoca a mudança da cor amarelo palha, nos vinhos jovens, para dourado, vinhos envelhecidos.

2. Fase olfativa

O olfato é o segundo parâmetro a ter em conta. A prova inicia-se quando se cheira o copo, acabando por via retro nasal, com o vinho já no palato.

Num vinho, existem aromas que se perdem mais facilmente que outros e, esta é fase em que se podem detetar logo alguns defeitos do vinho, como a presença de mofo e vinagre ou descobrir a sua complexidade aromática.

O leque de aromas é vastíssimo e a sua descoberta dependerá sempre da memória olfativa de quem prova, assim como do seu treino. Posto isto, é importante captar os primeiros aromas e, isso consegue-se com a aproximação do nariz ao copo, inalando os aromas vigorosamente, sem agitar o copo. Depois, agita-se o copo para sentir os restantes.

Podem existir 3 tipos de aromas nos vinhos:
  • Primários – São os aromas provenientes da uva.
  • Secundários – São os aromas resultantes da fermentação. Nos vinhos brancos geralmente lembram frutas frescas como maçã, pêssego, abacaxi, maracujá, pera e, às vezes, aromas mais complexos, como o mel, hortelã, menta e outros. Nos vinhos tintos, são aromas de frutas vermelhas, como cereja, amora, frutos silvestres e, de frutas secas, como ameixa, nozes, amêndoa, para além de especiarias, tal como a pimenta, canela, baunilha.
  • Terciários – São os aromas provenientes do envelhecimento do vinho. Aromas animais, como couro ou suor e, aromas de madeira, como a baunilha e a serradura.
3. Fase gustativa

O paladar é o terceiro e último sentido a ser utilizado. Esta fase inicia-se com a primeira impressão que o vinho causa ao beber e dura até à apreciação do seu conjunto de sabores, do corpo e textura. Prove com um gole generoso, para que possa sentir o vinho a percorrer toda a boca.

As papilas gustativas, que dão a sensação dos diferentes sabores como o doce, o salgado, o amargo e o ácido, estão situadas em locais diferentes da língua. A sensação do doce ocorre na extremidade da língua, o ácido, nas suas laterais, o amargo na região posterior e, o salgado, normalmente não se sente, pois, é mascarado pela acidez.

Provar um vinho permite avaliar a cor, brilho, aromas e, claro, o sabor.



A última parte da prova diz respeito ao cruzamento da informação obtida pelo nariz, isto é, pelo olfato, e pela boca, ou seja, pelo paladar. A este cruzamento dá-se o nome de aroma retronasal que diz respeito ao sabor que fica na boca ao expirar pelo nariz quando ainda temos o vinho na boca ou quando o acabámos de engolir.

Após ser engolido ou cuspido, o vinho deve deixar um conjunto de sensações, devendo apreciar-se a sua persistência, os sabores, os aromas retronasais e o final de boca.

A prova conclui-se, então, quando é possível caracterizar o vinho segundo a cor, o aroma e o sabor. Deve ser possível concluir a maior ou menor originalidade de um vinho, o seu equilíbrio, harmonia e tipicidade, entre outras características.

O que é que a prova de um vinho tem?

A prova de um vinho traduz-se, em suma, num caminho de descoberta. Com a envolvência de praticamente todos os sentidos e o respeito por cada etapa do processo que envolve a degustação, é possível captar as melhores características de cada vinho.